UMA LUZ PARA COMBATER PRAGAS NO CULTIVO DE RÚCULA E AGRIÃO

Com luz e choques elétricos. É por meio desta prática simples mas eficaz, que o produtor Wilson Silva Moyses, 65 anos, proprietário da Hidroponia Mundo Verde, de Santa Fé do Sul (SP), enfrenta algumas das pragas que afetam suas estufas. O principal alvo do agricultor é o Plutella xylostella, chamado popularmente de “traça-das-crucíferas”, um inseto que se alimenta das partes externa e interna das folhas. O dano na produção começa quando a fêmea do Plutella deposita seus ovos no interior da planta. Depois de três a quatro dias, nascem as larvas, que começam a se alimentar do vegetal. Por ser uma praga de fácil mobilidade, a traça-das-crucíferas é observável em várias partes do globo.

No caso de Moyses, o inseto estava atacando prioritariamente sua produção de rúcula e agrião. Então, pelo fato da traça-das-crucíferas ter hábitos noturnos, o agricultor explica que pensou no mesmo princípio utilizado para combater muitos insetos: a luz. Daí, ele implementou na estufa armadilhas de luz ultravioleta (luz negra) envoltas de proteção eletrificada. “Quando pragas como o plutella se aproximam da luz, sofrem um choque elétrico fatal ao tocarem na proteção do dispositivo”, explica o produtor, que há três anos faz uso da técnica.

Especialmente para evitar o uso de defensivos para combater a praga, o hidroponista ficou motivado a utilizar essas armadilhas. “Além de conseguir reduzir drasticamente a presença do inseto, consigo obter alimentos cada vez mais saudáveis na minha produção, ressalta o produtor hidropônico.

O fenômeno de reação à luz que ocorre com muitos insetos se chama fototropismo, conforme o engenheiro agrônomo Marcelo Arrighi. Entretanto, o especialista alerta que essa reação pode ser positiva ou negativa. Ela é positiva quando se movimentam em direção a luz (é o caso das abelhas, mariposas, moscas, traças etc). E negativa quando fogem da luminosidade (como as baratas, larvas de moscas etc). “Há vários tipos de armadilhas luminosas no mercado. A utilizada por Moyses é muito boa, mas tem um investimento mais elevado e, por isso, é mais comum em estabelecimentos como açougues e padarias”, comenta Arrighi.

Outras alternativas

O engenheiro destaca outras alternativas que podem ajudar no combate às pragas. “Em grandes áreas hidropônicas observamos mais o uso de iscas como filmes plásticos nas cores azul ou amarela. Com a presença de uma cola especial na superfície, esses filmes prendem o inseto ao contato com o material. A cor azul, geralmente, atrai o Thrips tabaci. A amarela atrai, entre outras, a mosca branca e moscas minadoras”, explica. Arrighi lembra que alguns produtores também trabalham com filmes plásticos de cobertura que filtram determinadas ondas de luz para dificultar a permanência destes insetos dentro das estufas. “E, por fim, temos o tratamento químico no qual se utilizam produtos como do grupo dos nicotinóides e do piretróides. Na linha dos biológicos, se destacam principalmente o Bacillus thuringenesis, o limoneno e o silício”, acrescenta.

Para o engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Fernando Cesar Sala, métodos como o utilizado pelo produtor de Santa Fé do Sul devem ser mais difundidos para promover ainda mais a redução da necessidade de defensivos. “Eu já vi produtores obterem êxito ao utilizarem métodos similares ao de Moyses. O controle físico trata-se de uma prática muito funcional e eficaz de combate às pragas, embora seja pouco divulgada”, argumenta. 

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