PROJETO USA A HIDROPONIA PARA CAPACITAR ADULTOS

A capacitação de adultos no interior de São Paulo por meio do ensino é um dos objetivos do projeto “Seguindo em Frente”. Estes cidadãos, em situação de vulnerabilidade social, recebem aulas sobre pequenos negócios e noções estratégicas de empreendedorismo que envolvem a cultura da Hidroponia –  técnica de cultivar hortaliças, flores e plantas ornamentais sem utilizar o solo. As aulas sobre cultivo hidropônico são ministradas e coordenadas pela Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec), de Ourinhos (SP).

O programa proporciona autonomia às famílias e também ajuda aos cinco municípios que participam da iniciativa, pois a estufa montada para as aulas do projeto passa a ser usada na produção voltada à assistência social, hospitais, creches e outros serviços públicos da região em que está instalada.

A Fatec é responsável por criar e ensinar a montagem da estufa e dos equipamentos necessários para a realização do plantio. A instituição também cuida da elaboração das aulas do projeto e material didático até o acompanhamento da metodologia aplicada. Desde 2015, cerca de 200 pessoas já foram capacitadas e receberam certificados de conclusão de curso. E tudo foi criado pensando numa linguagem mais simples e ilustrativa, já que a capacitação é voltada especialmente a pessoas sem formação.

As aulas são conduzidas pelo professor Roger de Oliveira, especialista em agronegócio e auxiliar docente na faculdade, em Ourinhos. “Esse tipo de cultivo proporciona maior produtividade e produção em determinadas épocas do ano em que não se conseguia plantar, por conta das dificuldades com o clima”, explica o professor. “Dessa forma, a Hidroponia proporciona aos participantes conhecimentos sobre uma alternativa de renda para o núcleo familiar”, acrescenta.

Variedades cultivadas – Na capacitação prática, os alunos aprendem a cultivar as culturas primárias, com maior potencial de vendas: alface, chicória e almeirão. Depois, conforme interesse regional, é possível aprofundar os conhecimentos necessários para o cultivo de outras variedades.

A escolha do cultivo sem solo visa preparar a população para sustentar a produção no longo prazo. De instalação um pouco mais complexa que o cultivo convencional, demanda o uso de estufa com uma rede de canos para hidratar e nutrir as raízes das plantas. O retorno do investimento se dá pela qualidade da produção, mais limpa e menos suscetível a pragas, e, consequentemente, ao uso de agrotóxicos.

A técnica alternativa de cultivo também tem ciclos mais rápidos. No caso da alface, são 21 dias do plantio à colheita. Já no cultivo convencional, são necessários 60 dias. Além disso, o replantio é mais barato, por dispensar a reposição de adubo, com redução de até 75% de água, sendo viável durante todo o ano.

Combate à depressão – A aposentada Aparecida Ramos de Souza viu nas aulas uma oportunidade de reforçar a renda e a luta contra a depressão. Aos 70 anos de idade, ela conta que fez o curso de Hidroponia, conseguiu vencer a depressão, a pressão alta e melhorar a saúde. “Nas aulas eu aprendi coisas maravilhosas. No meu sítio eu fazia horta no chão, mas não é tão boa quanto a hidropônica, que dá as verduras muito mais rápido”, comenta Aparecida. “Foi maravilhoso. Eu venci a depressão, conheci pessoas, brinquei e ri muito. Eu gostei de tudo no curso, das aulas, dos colegas e dos professores”, revela.

A iniciativa tem como investidores a concessionária de estradas Cart e o Instituto Invepar e é administrada pela Baobá Sustentabilidade e pela ONG Ato Cidadão. Usado para fomentar a agricultura familiar e criar novas possibilidades de renda para os moradores, o método de plantio pela Hidroponia recebeu, no ano passado, o Prêmio Mérito Ambiental da Federação das Indústrias do Estado de São (Fiesp).

De acordo com o gerente de relações institucionais da Cart, Athayde Caldas Júnior, a Concessionária busca auxiliar na promoção do desenvolvimento social, econômico e ambiental dos municípios pode onde passam as rodovias sob concessão da empresa. “Parcerias como esta são essenciais para atingirmos esses objetivos e impactarmos positivamente as vidas da população de cada cidade cortada pelo nosso corredor”, ressalta.

Desde março deste ano, as cidades de Caiuá e Assis se juntaram aos municípios de Santo Anastácio, Ibirarema e Espírito Santo do Turvo como participantes. Dessa forma, o programa já conseguiu atender desempregados, assentados rurais, dependentes químicos em fase de ressocialização e pessoas em tratamento contra transtornos mentais, aplicando conhecimentos sobre empreendedorismo para que os alunos conheçam a Hidroponia como um negócio. São quatro meses de aulas semanais, teóricas e práticas. “Em uma cidade do tamanho de Ibirarema, por exemplo, um dos principais desafios é a falta de empregos”, explica o diretor de Agricultura e Abastecimento da cidade, Sinésio Henrique Bezerra. “O curso ajuda a população de baixa renda da cidade a produzir as hortaliças em casa, dando a possibilidade de complementar seu orçamento”, complementa Bezerra.

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