PANORAMA DA ERA PÓS-PANDEMIA E A PRODUÇÃO HIDROPÔNICA

O especialista em Hidroponia e doutor em agronomia, Gláucio Genuncio

Muitas das visões sombrias do futuro em relação a produção de alimentos estão retrocedendo graças à ciência da Hidroponia – que remonta ao século 19. Na década de 1930, foi descoberto que o que as plantas precisam para se desenvolver é surpreendentemente mínimo: nitrogênio, um punhado de minerais, algo para ancorar as raízes, como espuma fenólica, lã de rocha ou casca de coco e H2O.

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E na era pós-coronavírus, certamente nos tornaremos menos tolerantes à doenças causadas pelos métodos intensivos de cultivo. A força da Hidroponia, está no uso mais sustentável dos recursos naturais. As chamadas fazendas verticais podem também cultivar cerca de 10 vezes mais alimentos por hectare do que a produção agrícola convencional, além de colher seus produtos mais rápido e principalmente, por serem alimentos mais higienizados.

Diante desse cenário, a Plataforma Hidroponia traz o doutor em agronomia e especialista em Hidroponia, Glaucio da Cruz Genuncio, 46, que atualmente é professor Adjunto da Universidade Federal do Mato Grosso, para falar sobre métodos, cuidados em tempos de pandemia, cadeias de suprimentos e tudo o que faz da Hidroponia um grande mercado.

PH- A Hidroponia pode ser considerada a alternativa mais promissora no que diz respeito a produção de alimentos para o futuro?

GG – Não vejo como sendo a mais promissora, consigo ver a Hidroponia comparativamente aos outros sistemas de produção. Tenho uma visão diferente desse sistema quando comparo hidropônico, orgânico e convencional. Acho que esses três sistemas têm vantagens e desvantagens. A Hidroponia tem muitas vantagens, como garantia de produção ano inteiro, limpeza maior, ausência de uma rotação de cultura, só que é um sistema que mantem um custo elevado de manutenção e implantação. A Hidroponia se formos pensar em agricultura urbana, periurbana, tem uma vantagem significativa, ou seja, se produz  mais em áreas do mesmo tamanho. Num hectare de alface, plantado orgânico, ou em sistema hidropônico, a produtividade vai ser muito maior, por causa do melhor uso da área, melhor controle nutricional, de água. Dentre tudo não se pode falar que um sistema vai substituir o outro. A Hidroponia tem um aspecto legal no futuro, mas tem espaço para todos os três sistemas.

PH – Quais os aspectos que fazem dos produtos hidropônicos uma produção do futuro?

GG – Temos algumas vantagens intrínsecas que são: produzir com maior qualidade em quase todo o ano, garantir um produto de qualidade nutricional melhor, dependendo do manejo. Não quer dizer que seja sempre. Um bom produtor orgânico também pode produzir uma hortaliça boa. Um produtor convencional também pode, haja visto a alface americana, que é sempre melhor a produzida no solo. A planta se adapta melhor. É difícil fechar a cabeça por exemplo em alface hidropônica americana, então o produtor na realidade não quer investir muito tempo na produção de uma alface que pode durar o dobro de tempo do que uma alface crespa que é o caso da americana. O controle nutricional e controle de irrigação, são fatores sim que melhoram a produção do futuro. Se formos elencar o uso eficiente da água aí sim, tem um diferencial muito grande, você economiza de 50 a 60 por cento da água que é utilizada em outros sistemas, uma economia muito grande.

PH – Qual a técnica que você indicaria a um novo produtor de hidropônicos e por quê?

GG – Em Hidroponia, a Técnica NFT seria adequada para hortaliças folhosas. Hoje tem crescido muito a técnica em sistema de cultivo de substrato, em que as pessoas chamam semi hidropônico, com substrato fibra de coco principalmente. Essa é uma técnica bem aprimorada para cultivo de hortaliças de fruto. Mas não quer dizer que não dê para cultivar hortaliças como pimentão, tomate, hortaliças no sistema NFT, mas o cultivo de hortaliças dentro desse sistema também tem modificado. Hoje a Hidrogood tem lançado uma otimização do sistema hidropônico que é um NFT melhorado, com aproveitamento maior de área numa mesma estufa. Elimina-se alguns corredores e colhe-se esse produto. Existem outros em crescimento que é o piscinão, floating,  parte de aquaponia que é o cultivo associado aos peixes, mas não tem uma permeabilidade muito grande. Hoje os sistemas que mais utilizamos na hidroponia é o NFT e o substrato.

PH – Qual o tipo de manejo mais indicado em tempo de pandemia? Quais os cuidados que podem ser reforçados para garantir ainda mais assepsia para a produção de hidropônicos?

GG– No fundo não temos um embasamento científico de que o vírus tenha transmissividade alongada – ou tempo de vida útil do vírus nas hortaliças, colocando dessa forma. Chamo a atenção que o cultivo hidropônico tem uma certa vantagem porque uma parte significativa dos produtores já usam materiais desinfetantes e sanitizantes. Nesse sentido, os cuidados ao colher, lavar a bancada, passar o dióxido de cloro, um peróxido de hidrogênio que é a água oxigenada, tudo isso vai facilitar a baixa transmissividade de vírus e bactérias. E esse controle de ácido peracético, dióxido de cloro até o próprio hipoclorito de sódio são usados para limpar e desinfectar o sistema, e isso pode ser estendido para as questões de caixaria, embalagem e transportes. Essas medidas de desinfecção e sanitização utilizadas no sistema de cultivo já são importantes. O produtor pode expandir isso para a entrega, limpeza dos caminhões, da caixaria ou seja, qualquer fonte de contaminação cruzada ao ser tratada com esses produtos, já resolve o problema. Geralmente o produtor hidropônico não usa o álcool 70%, ele usa outros desinfectantes que não fazem mal a planta. Há inclusive recomendações do dióxido de cloro em aplicação foliar. Há um fungo chamado oídio e produtores hidropônicos de São Paulo estavam tentando fazer o controle com o uso de dióxido de cloro. Associado a isso temos também o fator de treinamento dos funcionários, com o uso de máscaras, luvas e toda a normatização da OMS. Ainda há o fato de os produtores trabalharem com produtos pré higienizados para o consumo e também os minimamente processados. O agregar de valor em qualidade se tornou uma responsabilidade social. Claro que nem todos os produtores vão ter condições financeiras e de mão de obra para fazer isso. Porque eles terão  quase uma indústria de alimentos dentro de um sistema de produção, mas é uma forma de se fazer. Eu vejo, o uso de tecnologia para embalar o produto de uma forma diferenciada em termos de produtos minimamente embalados, processados, a vácuo essa coisa toda, isso é um caminho em tempos de COVID. O produtor que puder fazer uso disso poderá rentabilizar muito a sua produção.

PH – Por que o consumidor deve optar por produtos hidropônicos na hora de comprar?

GG – Porque é uma característica dele e geralmente um produto hidropônico tem uma vida útil maior, ele se preserva mais. E uma das explicações é a manutenção do sistema radicular. Então de um modo geral a opção é pela qualidade intrínseca ao produto, mas no fundo acaba que quem opta pela compra de de produtos hidropônicos é o atacadista e varejista. Por causa da melhor manutenção de oferta no decorrer do ano. Hoje temos alguns exemplos, produtores de solo em São Paulo, se não montarem uma estufa para terem essa garantia constante de entrega, eles estão fora do mercado. Na região serrana do Rio de Janeiro por exemplo, houve um boom de Hidroponia, mesmo entre os produtores de solo, porque percebeu-se que as cadeias de supermercados exigiram dos grandes produtores de solo, uma parcela de produção hidropônica para justamente manter um fluxo de oferta de produtor. Então às vezes a gente acaba  vendo no mercado uma maior incidência de produtos hidropônicos que não é nem um fator de consumo, mas uma exigência do mercado.

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