O TOQUE FEMININO NA HIDROPONIA

Ao longo da história, as mulheres desempenharam um papel fundamental para o desenvolvimento de nações, culturas e religiões. Exemplos como Cleópatra, rainha do Egito, exercendo a sua astúcia e liderança; Joana d’Arc, combatendo durante a Guerra dos Cem Anos; Malala Yousafzai, que mesmo depois de um atentado à sua vida, continuou o seu ativismo e ganhou um prêmio Nobel da Paz; ou até mesmo Maria da Penha, figura que dá nome à lei que protege as mulheres de qualquer tipo de agressão, dando voz àquelas que antes pensavam estar desamparadas. 

Todos esses exemplos demonstram que oprimir ou menosprezar alguém por ter nascido mulher é tão errado quanto exercer esses mesmos preconceitos pela cor. E é por isso que existe um dia para homenagear todas as mulheres, lembrando da sua luta e prestando reconhecimento.

Dentro da Hidroponia, a atuação das mulheres vem crescendo em muitas regiões do Brasil. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o número de figuras femininas na área da Agricultura dobrou nos últimos 25 anos. Segundo a professora da Universidade Federal de Pelotas, Doutora em Agronomia/ Agriculturas intensivas e Cultivos protegidos pela Universidade de  Almería, Especialista em Sistemas de Produção Hidropônico, Manejo de Nutrientes e Fisiologia, Roberta Peil, a mulher ainda encontra certa resistência no mercado de trabalho da Agricultura.

Por isso, ingressar na área da pesquisa, ensino ou outro posto de trabalho no setor público, tornou-se a opção mais procurada por elas. “Em grande parte dos empregos na área de maquinário agrícola, ou que envolvam a produção de grandes culturas, habitualmente, sempre existiu certa restrição para a contratação de mulheres. Porém, isso gradualmente vem sendo superado. Entretanto, em função desta restrição histórica, uma parte expressiva das mulheres que atuam no campo da Agronomia precisou se adaptar para conseguir se manter no mercado e se dedicou à Horticultura”, destacou. 

Ainda de acordo com a professora, a Hidroponia pode ser considerada um sistema de produção tipicamente adotado na Horticultura, que é a área da Agronomia que trata da produção de hortaliças, plantas ornamentais (árvores, arbustos e flores) e frutas, entre outros. Esse seria mais um atrativo para o público feminino. “As características dessas culturas, normalmente  produzidas em pequenas áreas, com exigência de manejo intensivo, favorecem o interesse das mulheres”, observa. Essa informação é atestada pelo número expressivo de mulheres que fazem a sua formação acadêmica na UFPEL com foco na Hidroponia. “Atualmente, na totalidade de 10 alunos de mestrado e doutorado diretamente sob a minha orientação em temas vinculados à Hidroponia, oito são mulheres” salienta a professora. 

Mesmo com esse ingresso feminino no mercado hidropônico, são poucas as que estão à frente de um projeto de gestão ou planejamento. Uma dessas exceções é a consultora agrônoma Taciana Guimaro. A profissional acredita que o muro do machismo dentro da Hidroponia está ruindo aos poucos, mas que esse processo está ainda engatinhando. “Infelizmente, existem poucas lideranças femininas no ramo do agronegócio, se compararmos aos homens. É como se nós, mulheres, precisássemos nos provar triplamente diariamente, enquanto que a cobrança do outro lado é proporcionalmente menor”, observou.

Outro fator que a consultora aponta para a justificativa desse número menor de mulheres no cultivo é a maternidade. “O empregador enxerga como um empecilho contratar alguém que fique afastado do trabalho para cuidar de um filho quando nasce. Isso só vai mudar quando colocarmos em igualdade a participação do pai e da mãe na criação dos filhos”, projetou. 

Contudo, existe a possibilidade de conciliar tudo isso. Para a professora Marta Simone Mendonça Freitas, Doutora e Mestre em Nutrição Mineral de Plantas, a popularização e a ampliação do conhecimento e da utilização da Hidroponia têm permitido uma maior participação da mulher na produção agrícola. Isso devido às possibilidades de implantação de cultivos em condições mais acessíveis, pois as ações podem ocorrer não só como fonte direta de renda, mas também, associadas a outras atividades profissionais, inclusive com relação a atividades domésticas. “Um dos motivos das mulheres interessarem-se pela prática hidropônica é a possibilidade da realização de múltiplas tarefas. Você pode ter sistemas hidropônicos praticamente dentro de casa, como uma outra fonte de renda, ou próximo de outra atividade profissional exercida pelas mulheres, o que nos permite dedicar mais tempo à família, aos estudos, outros trabalhos, e atividades de lazer”, frisou.  

Falando em mulheres que aliam o zelo do lar com a Hidroponia, temos a Lidiane Silva, gestora da Acqua Hidroponia. Ela, que passou de dona de casa à proprietária de uma empresa em pouco tempo, relata que não foi fácil ingressar nessa área, uma vez que existe pouca presença feminina à frente dos negócios. “Encontrei certa resistência no início, mas utilizei o amor como bússola, me guiando o tempo todo para não desistir”, relembra.

Esse esforço valeu a pena. Tanto que Lidiane ganhou um prêmio, em 2019, pela gestão feita na Acqua Hidroponia, coroando essa persistência no mercado. “Me sinto realizando um sonho do meu finado marido, que iniciou esta empresa e era PhD em Hidroponia. Tudo o que eu sei, aprendi com ele, e hoje estamos colhendo os frutos”, enfatiza. 

A empresária ainda relata sobre o intercâmbio de informações que teve com outras mulheres na premiação. “Me senti muito orgulhosa por ser a única mulher que representava a Hidroponia lá. As outras participantes eram de outras áreas do agronegócio. Mesmo assim, poder ver que somos um número cada vez maior à frente de empresas respeitadas foi muito bom”, destaca. 

Outra empresária que encontrou resistência por parte da ala masculina no início do seu empreendimento, em 2011, foi a Carla Arnold. Dona da Casa de Pedra, Carla comenta que foi difícil negociar com alguns compradores pelo fato de ser mulher, mas que isso nunca a desmotivou. “Hoje mudou muito, principalmente por parte das grandes empresas. Mesmo assim, batalhei muito para conquistar o reconhecimento que tenho atualmente. Tanto que mantenho todos os clientes que firmarmos parceria até hoje”, frisou.

Carla ainda comenta que essa valorização é graças à busca de excelência que a Casa de Pedra propõe. “Quando demos início aos nossos trabalhos, percebemos que 70% dos produtos comercializados no ramo hidropônico eram de alface crespa. Por isso, nos propusemos a oferecer o máximo de variedades possíveis, sempre com frescor e muito bem selecionados”, explica.

Uma mulher que está iniciando, e que um dia estará tão reconhecida no mercado quanto as já citadas acima, é a Lucimeri Screpecz Lisboa. Ela, junto da família, está iniciando uma produção de 10 mil pés de plantas em Santa Catarina, realizando um sonho de poder mudar de ramo depois de tanto tempo trabalhando com transportadoras. “Nós tínhamos uma frota com 60 caminhões e estávamos bem no negócio. Porém, queríamos algo diferente, que aliasse qualidade de vida e satisfação profissional. Além de poder ter algo em família. A Hidroponia foi o caminho e sei que vai nos dar os resultados esperados”, projetou.  

Esses são apenas alguns exemplos de mulheres que se destacaram e vem cada vez mais se aperfeiçoando em suas atividades. Todas com muito orgulho e realizando todas as tarefas com amor e dedicação, dando o seu toque especial para a Hidroponia.

Por Jorge BoruszewskyFonte: Roberta Peil, Taciana Guimaro, Marta Freitas

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