MICROGREENS: AUMENTO DA OFERTA E DEMANDA MOTIVAM SETOR HIDROPÔNICO

Os micro-vegetais tornaram-se bastante mais populares nos últimos anos, graças ao aumento da oferta (por parte de alguns produtores pioneiros) e da demanda (de algumas pessoas também “visionárias”) em diversas regiões do país e do mundo.

Por conta de todo esse “movimento” cultural e mercadológico, eles já estão, por exemplo, sendo amplamente usados como complementos para pratos sofisticados, em restaurantes de alta gastronomia – ao mesmo tempo em que são vistos, também, com presença cada vez maior nas cozinhas domésticas.

Principalmente nos lares de quem mora sozinho, vive apenas em par ou tem crianças – cuja resistência a saladas “encolhe” naturalmente diante de folhas pequenas, mais proporcionais ao seu mundo, de escalas e proporções ainda reduzidas.

Todo esse novo contexto tem tornado o cultivo destes produtos uma proposta mais viável e atraente para hidroponistas, cuja adesão também mostra sinais de crescimento ascendente. Um dos motivos para essa aposta exponencial nos microgreens é que a maioria deles apresenta fácil germinação e necessita de um ciclo extremamente curto: são apenas cinco a 10 dias desde a muda até a colheita.

Além disso, micro-vegetais podem ser desenvolvidos em alguns poucos metros quadrados, fator que os torna ideais para produção em pequena escala (em um micro-empreendimento familiar, por exemplo) ou mesmo no quintal de casa.

O QUE SÃO MICROGREENS?

Os microgreens surgiram em meados dos anos 80 do século passado, na Califórnia (EUA), onde chefs inovadores começaram a usá-los em pratos até então inéditos, visando incorporar mais cor, sabor, textura e interesse por vegetais ao cardápio. Hoje, foram adotados já basicamente em todo o mundo, com variadas aplicações, que dão asas à criatividade gastronômica.

De coberturas a guarnições, de condimentos em saladas a petiscos “naturebas”, as possibilidades vão se multiplicando à medida que mais e mais pessoas têm contato com essas “charmosas” versões de cultivares antes conhecidos e difundidos somente em versões “macro”. Assim, já não é tão raro ver criações de “releituras” em muitos restaurantes sofisticados, bem como nos mais famosos livros de culinária ou vídeos de “influenciadores digitais” do segmento.

Tudo isso faz com que os microgreens adquiram um certo “status” e sejam vendidos como produto de alto valor agregado na maioria dos mercados onde estão inseridos. Por natureza, já são uma vertente comercial lucrativa, diferenciada, totalmente adequada aos métodos de produção sem solo.

DIVERSIFICAÇÃO E DIVERSIDADE

Além de oferecerem os já tradicionais padrões de qualidade e assepsia que caracterizam a Hidroponia, um dos motivos que leva os micro-vegetais a serem menores é que são colhidos muito jovens, possibilitando não apenas a flexibilização dos ciclos em uma estufa, mas, principalmente, a otimização e diversificação das safras.

Mais ou menos como acontece com os bonsais, uma ampla gama de espécies pode ser adaptada para a lógica microgreen – e as alternativas se desenvolvem na mesma velocidade e proporção em que novos pesquisadores e empresas se debruçam sobre o tema, alavancando um ciclo virtuoso.

Já existem, por exemplo, cultivares selecionados não apenas por sua beleza ou crocância, mas principalmente pelo que suas “propriedades” oferecem em termos de saúde. Ganha o mercado, avança a Ciência, ganhamos também nós, consumidores, em qualidade de vida. Mesmo se você for apenas um “jardineiro doméstico”, que cultiva por hobby; ou aquele consumidor eventual, que só cozinha aos finais de semana.

QUAIS MICROGREENS POSSO PRODUZIR?

Em geral, os micro-vegetais se enquadram em quatro categorias principais:

Brotos e gavinhas: inclui brotos de ervilha, girassol e milho. Muitas vezes são usados como guarnições, mas todos têm um sabor característico, embora suave.

Verduras picantes: incluem agrião, rúcula, rabanete e mostarda.

Micro-ervas: normalmente podem ser usadas como temperos, aromatizantes ou acabamentos decorativos nos pratos, pois são conhecidas por seus sabores característicos, em geral peculiares.

Esta categoria inclui salsa, erva-doce, crisântemos comestíveis, coentro, manjericão, azeda francesa, hortelã, endro, cebolinha, cebola e shisho (perilla).

Verdes tenros: este grupo é muito diversificado, com uma vasta gama de sabores e texturas. Inclui cultivares bastante distintos, como repolho roxo, brócolis, espinafre, milho, endívia, chicória, aipo, cenoura e alface, mas também tatsoi, mitzuna, amaranto, acelga e couve.

Se você está pensando em começar uma produção, o importante é que todos esses itens têm algo bem importante em comum: podem ser cultivados com o mínimo de preocupação, demandando relativamente pouco tempo e esforço.

POR QUE ADERIR AOS MICROGREENS?

Pequenas plantas, grandes negócios! Conforme já dissemos, micro-vegetais são menores apenas no peso e tamanho mesmo. Porque na prática representam um investimento com diversas características de “produção ideal”: são de ciclo muito rápido, oferecem alto rendimento (em termos de produtividade) e também elevado valor agregado. Ou seja, é rentabilidade garantida, sem necessidade de um aporte inicial tão “vultoso”.

Além disso, pode-se começar o desenvolvimento de algumas bancadas (ou mesmo vasos) em apenas alguns centímetros de espaço, desde que bem iluminado. Os microgreens aceitam ser facilmente cultivados, por exemplo, de forma “artesanal”, em um peitoril de janela quente e ensolarado. Ou, se, por outro lado, a ideia for escala comercial, eles podem ser incorporados em um equipamento de alta tecnologia de um sistema vertical hidropônico.

Embora seja necessário um certo grau de habilidade no cultivo de micro-vegetais em altas densidades ou larga escala – além da óbvia exigência de manutenção permanente da qualidade -, a ampla variedade de espécies já disponíveis, bem como sua crescente popularidade, tornam esse nicho realmente “sculento” para produtores hidropônicos mais “antenados” nas tendências mercadológicas.

POR QUE HIDROPÔNICOS?

A principal vantagem de adotar Hidroponia na produção de microgreens é que nenhum meio de cultivo granular precisa ser usado. Afinal, quando você trabalha com uma alta taxa de semeadura e planta uma grande densidade de micro-vegetais, é fundamental evitar que pequenas partículas de substrato ou solo entrem em contato com a verdura. Pois, uma vez que microgreens geralmente não são lavados após a colheita, isso representa um risco de grãos crocantes (terra, areia) acabarem nos alimentos.

Em termos de metodologia, vale destacar que micro-vegetais hidropônicos têm maior produtividade quando acomodados em uma esteira fina ou almofada capilar, que mantém a semente no lugar e retém um pouco de umidade para a germinação.

Deve-se sempre iniciar com sementes especificamente destinadas para brotos ou para microgreens (sim, já existe essa designação exclusiva, adotada por alguns fornecedores), o que significa uma baixa porcentagem de matéria não-vegetal. Cada uma deverá ser bem limpa e não pode ter sido tratada com fungicidas ou quaisquer produtos químicos.

SEGURANÇA ALIMENTAR E HIGIENE

Como você pode esperar, existem requisitos de segurança alimentar para a produção de microgreens. Geralmente, tratam-se de sementes com alta qualidade, aplicadas em um sistema asséptico, que ofereça níveis corretos de temperatura e umidade.

No entanto, mesmo assim, com tudo controlado,vários patógenos fúngicos podem se desenvolver e proliferar em sementes germinadas – especialmente na atmosfera úmida onde micro-vegetais de alta densidade são cultivados.

Há maiores chances de doenças acontecerem quando sementes velhas são usadas ou se temperaturas muito altas ou excessivamente baixas ocorrem no ambiente de manejo. Regar em excesso também representa um risco, pois as sementes podem apodrecer antes da germinação.

Novamente, é aqui que as vantagens de ambientes controlados como os dos sistemas de cultivo em contêineres hidropônicos vêm à tona, permitindo um controle rígido da água e da temperatura. Na prática, qualidade assegurada para os clientes e boa lucratividade para os produtores. Por isso, ao ouvir sugestões sobre iniciar (ou ampliar) sua produção hidropônica, “pense grande” – mas não perca de vista o potencial deste “pequenos” adoráveis.


 

 

 

 

 

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