HORTA HIDROPÔNICA EM PRESÍDIO DO MATO GROSSO DO SUL

A Hidroponia, técnica do cultivo sem solo em que as plantas recebem uma solução nutritiva com todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento, se transformou em um instrumento de inclusão social e capacitação agrícola para os detentos da Penitenciária de Segurança Média de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A iniciativa faz parte da política de ações da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) para a ressocialização de detentos e a redução nos índices de reincidência criminal.

Instalada em um espaço de 15×12 metros no pavilhão 5 da casa prisional, em Três lagoas – município localizado próximo à divisa com o Estado de São Paulo -, a horta hidropônica foi montada a partir de materiais reaproveitados para reduzir os custos, como canos de PVC recicláveis para baratear o projeto, madeiras de demolição e placas de forro de PVC usados.

Atualmente, seis internos trabalham com a produção, com remição de um dia na pena a cada três trabalhados. Os detentos cultivam alface, almeirão, agrião, rúcula, couve e espinafre. Antes, chegaram a plantar salsa e cebolinha. A maioria das verduras é utilizada na alimentação dos 535 presos, mas parte da produção é repassada para o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, de Três Lagoas, a partir de insumos financiados pelo Conselho da Comunidade para a plantação.

A estrutura está sendo ampliada, com a construção de um berçário para as mudas e uma nova estufa, totalizando 400 metros quadrados. O sistema de cultivo, que é em NFT, passará a contar com bancadas individuais, com reservatórios exclusivos. “Isso vai proporcionar uma proteção maior contra a contaminação por doenças”, avalia o diretor do presídio, Raul Ramalho.

A expansão da horta hidropônica também permitirá que mais detentos participem do projeto, que, em 2016, ficou em segundo lugar no 11º Prêmio Sul-mato-grossense na Inovação de Gestão Pública, na categoria “Práticas Inovadoras de Sucesso”, realizado pelo governo do Mato Grosso do Sul.

A iniciativa rendeu um prêmio simbólico de R$ 4 mil, recurso que foi usado nas melhorias da estrutura da horta hidropônica. “Estamos projetando que, com a ampliação, teremos entre dez e 12 novos reeducandos trabalhando na horta hidropônica”, adianta Ramalho. O projeto também já ganhou reconhecimento nacional, com publicação na Revista Hidroponia, a única no Brasil especializada na área do cultivo sem solo.

Parcerias – A intenção é de que, no futuro, possam ser firmadas parcerias com empresas de alimentação e, até mesmo, com o poder público local, para abastecimento de escolas, creches e instituições sociais. “Queremos ampliar a produção, aproveitando também outros espaços do presídio e estabelecendo a logística de prazos para cultivo, já que, no sistema de cultivo hidropônico as hortaliças ficam aptas para comercialização em pouco tempo, com garantia de boa qualidade e livres de agrotóxicos pesados”, comenta o diretor. “Essa ampliação, futuramente, também poderá representar uma fonte de renda aos custodiados”, finaliza.

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