HIDROPONIA PELO MUNDO – ARGENTINA

Argentinos começam a investir no cultivo sem solo e, apesar da atual pequena participação no setor hortícola, Hidroponia tem tendência de crescimento no país

Era um dia qualquer do final da década de 1950 quando, na mesa de uma livraria situada na Rua Corrientes, na capital argentina Buenos Aires, um livro se tornou a porta de entrada de Carlos Arano para o universo do cultivo sem solo. “Na ocasião, encontrei esse livro chamado Hidroponía. A publicação é de um pioneiro argentino na área, chamado G. O. Huterwall. Este autor publicou alguns artigos sobre o assunto para uma revista chamada Mundo Argentino, e esses artigos foram a base para o livro”, revela o químico aposentado. Aliás, Arano guarda esta obra até hoje e diz que se trata de uma base para o cultivo sem solo nacional.

A partir da descoberta, Arano passou a se qualificar na área. Ao longo da carreira, além de ter sido produtor, prestou consultorias e participou de diversos projetos, tanto em seu país, quanto no exterior. “Comecei na Hidroponia por hobby. Essa foi uma das muitas coisas que fiz na minha vida. Na verdade, sou pesquisador e apaixonado por coisas novas”, declara. Oriundo de General Rodriguez, município da Província de Buenos Aires, Arano afirma que, no começo, era o único interessado no cultivo sem solo na região. “No início, as pessoas tinham muita dificuldade para entender o que a Hidroponia era. Hoje, após muitas décadas, vejo que há algumas pessoas se animando com iniciativas locais nesta área”, comenta. Assim como no Brasil, os hidroponistas argentinos têm como carro-chefe a alface cultivada em sistema NFT (Nutrient Film Technique). 

No entanto, a grande diferença entre os países é que, na Argentina, a participação hidropônica, mesmo que não mensurada com precisão, ainda é pouco significativa no setor hortícola nacional. “Ainda há muitas pessoas aqui que não conhecem os produtos hidropônicos.”, ressalta. O especialista destaca, porém, que os produtores hidropônicos têm recebido boa aceitação do consumidor. “Há progresso no segmento e temos muito potencial. É preciso tempo para mudar, mas quando isso ocorrer, será como uma hipérbole: não terá como parar”, projeta. Arano, que comercializa materiais didáticos – de seu próprio desenvolvimento – sobre Hidroponia, revela que atende interessados no tema vindos de diversas regiões da Argentina. “Percebo que a procura por qualificação no campo da Hidroponia vem principalmente das Províncias de Córdoba, Mendoza, Neuquén, Buenos Aires, Santa Fé e Entre Ríos”, cita.

O alto investimento inicial para montar as estruturas e a necessidade de conhecimento e capacidade de gestão são, na visão de Arano, alguns dos obstáculos que os produtores argentinos enfrentam. “Entretanto, a qualidade do produto, o pouco desperdício, a alta produtividade, a redução no uso de defensivos, a inexistência de ervas daninhas e a menor exigência de mão de obra compensam essa balança”, pondera. O especialista lembra, também, países que são exemplos no cultivo sem solo e que podem ser válidos como modelo: além dos argentinos, cita nações como México, Peru, Chile e Costa Rica. “Muitos profissionais da área da Hidroponia, como é o meu caso, consideram o Brasil um líder latino-americano no setor”, elogia. 

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