FAZENDA URBANA COM PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS E PEIXES CHEGA A BH

A capital mineira, Belo Horizonte, em breve ganhará mais uma atração. Está prevista para a segunda quinzena de março a inauguração da primeira fazenda urbana comercial da América Latina. O empreendimento será construído em um terreno contíguo ao Boulevard Shopping, localizado na Avenida do Contorno, no bairro Santa Efigênia, na região Centro Sul de Belo Horizonte. No local, usando a Aquaponia, serão produzidos peixes e mais de 50 mil pés de alface por mês, além de rúcula, agrião e ervas em geral. O manejo técnico será alinhado as boas práticas de produção de alimentos, tudo sem aplicação de agrotóxicos.

O empreendimento é fruto de parceria entre o centro de compras e a startup BeGreen, que produz hortaliças em Betim. A fazenda urbana está sendo instalada em um terreno de 2,7 mil metros quadrados que fica atrás do Boulevard, na esquina das ruas Pacífico Mascarenhas e Professor Otaviano Almeida, por onde passam, todo mês, cerca de 1 milhão de pessoas.  

Até então, a área vinha sendo usada para abrigar atrações como circos e exposições. “O terreno seria usado no projeto de expansão do shopping, mas isso deve ocorrer somente dentro de três anos. Para não deixar o terreno ocioso, decidimos fazer esta parceria com a BeGreen”, conta o superintendente do centro de compras, Daniel Vieira, acrescentando que, se o projeto for bem recebido, a iniciativa poderá ser levada para outros locais.

A fazenda urbana segue o conceito de que a produção ocorra no Centro da cidade e o consumo, em raio de 10 quilômetros, conforme um dos idealizadores do projeto, o administrador público Giuliano Bittencourt, sócio da BeGreen. Na essência da iniciativa, está o desafio de diminuir o desperdício. “A alface que você come é transportada, vai para a Ceasa [Centrais de Abastecimento de Minas Gerais] e, depois, para o supermercado. Essa longa cadeia faz aumentar o desperdício e o custo, por causa dos intermediários”, salienta.

Um levantamento divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 2015, mostra que entre 40% e 50% da produção agrícola são desperdiçados nas etapas de produção, pós-colheita, armazenamento e transporte. Só o desperdício no Brasil poderia matar a fome de 11 milhões de pessoas, segundo projeção da FAO.

O empreendedor diz que o principal objetivo é demonstrar que é possível ser sustentável e produtivo gerando mais empregos, menos lixo e sem prejudicar o meio ambiente. “É um projeto inovador, que segue um movimento global que aproxima a produção do consumidor final. Aqui na Fazenda BeGreen Boulevard, teremos a produção e o consumo num mesmo local e o consumidor saberá a procedência de tudo que está consumindo”, sublinha.

O novo espaço na capital mineira também abrigará a Casa Horta, construção onde serão vendidos os produtos cultivados no local e oferecidos itens entregues por produtores locais, e uma unidade do restaurante Casa Amora, que funcionará no conceito farm to table (da fazenda para a mesa). O estabelecimento vai servir refeições preparadas com as hortaliças da fazenda urbana. Na estrutura, que contempla palco e espaço de convivência, serão realizados eventos, palestras relacionadas à vida saudável e sustentabilidade e o empreendimento será aberto à visitação de estudantes. A expectativa é de atender 1 milhão de pessoas por ano.

Inspiração – A ideia de criar uma fazenda urbana surgiu depois de Bittencourt ter visitado, em 2014, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. A universidade conta com laboratórios de fazendas urbanas. De volta ao Brasil, o administrador público fundou com o administrador de empresas Pedro Graziano a Be Green. Junto de uma equipe de engenheiros agrícolas e técnicos da área, eles iniciaram a produção de alface baby em uma propriedade em Betim.

O sonho de vir para a capital e montar a fazenda urbana se tornou realidade por meio da parceria com o Boulevard Shopping, que vem sendo discutida há seis meses. A gestão da BeGreen Boulevard será toda da startup, que não revela o valor do investimento. A técnica usada na produção será a Aquaponia, que integra a produção de peixes e hortaliças. Nesse modelo, a água usada na criação das tilápias será reaproveitada no plantio dos vegetais. Os excrementos dos peixes ajudam a nutrir as plantas. “No MIT, eles usam a Aeroponia, mas nós optamos pela Aquaponia devido a otimização do espaço e aproveitamento dos resíduos”, explica Bittencourt.

A estufa ocupará uma área de 1,5 mil metros quadrados, com capacidade de produção mensal de 50 mil pés de alface baby, rúcula, agrião, brotos e ervas em geral. A produção consiste na oferta de vegetais mini ou baby. “O fato de não ter deslocamento torna o produto de 25% a 30% mais barato”, ressalta Bittencourt. O kit com dois pés de alface será vendido a R$ 5,00. Produtores locais também serão convidados a vender seus produtos na Casa Horta. “Cerca de 200 produtores vão entregar na Casa Horta o que não for produzido nas estufas”, afirma Bittencourt. 

Sustentabilidade – A sustentabilidade guia todo o projeto de implantação da fazenda urbana de BH. A estrutura será montada com dez contêineres que teriam como destino virar sucata. O piso é composto de rejeito de minério e o mobiliário feito em plástico reciclado.

Além de a produção ser orgânica, ou seja, sem a aplicação de agrotóxicos e remédios, haverá captação da água das chuvas, o que deverá contribuir para a redução do consumo. Segundo os idealizadores, a fazenda não envolve a produção de gás carbônico, porque funciona com energia elétrica e não contempla serviços de transporte.

Outra iniciativa será o uso do lixo orgânico dos restaurantes do Boulevard Shopping como composto agrícola no empreendimento. O estabelecimento produz quase 100 toneladas de resíduos orgânicos por mês, conforme Vieira.  “Desde o princípio, o Boulevard Shopping está alinhado com os princípios de sustentabilidade”, completa. 

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