DIA DE CAMPO APRESENTA NOVA CULTIVAR DE ALFACE-CRESPA DA EMBRAPA

A Embrapa Hortaliças realizou, nesta sexta-feira (26/5), em Brasília (DF), um dia de campo para apresentar ao setor produtivo a nova cultivar de alface crespa verde BRS Leila. O material se destaca pela tolerância ao calor e é bem adaptado às condições tropicais. “Altas temperaturas antecipam o florescimento da alface e, nessa etapa, ocorre a produção de látex que vai conferir à planta um sabor amargo. Por tolerar melhor o calor, a cultivar BRS Leila tem um período vegetativo mais longo e florescimento tardio”, explica Fábio Suinaga, coordenador do programa de melhoramento genético.

O pesquisador ressalta que essa característica pode ser interessante do ponto de vista do escalonamento da produção, já que o mercado consumidor demanda o produto fresco durante todo o ano. “Quando comparada a cultivar de alface crespa mais plantada no Brasil, a BRS Leila resiste, em média, dez dias mais ao calor antes de iniciar o florescimento”, estima Suinaga.

A cultivar BRS Leila adapta-se aos principais sistemas de produção de alface: campo aberto, cultivo protegido e Hidroponia. Em sistemas hidropônicos ou cultivos protegidos, por exemplo, as temperaturas mais elevadas dentro das casas de vegetação favorecem o florescimento precoce, que limita a produção. Por isso, a alface BRS Leila apresenta bom desempenho nesses sistemas, justamente por sua maior tolerância ao calor.

Em relação às doenças, a BRS Leila apresenta bons níveis de resistência ao nematoide-das-galhas e essa característica é muito relevante, principalmente em condições de plantio em campo aberto, em que as doenças de solo podem ser um fator limitante à produção e à qualidade das alfaces.

A nova cultivar foi avaliada nas regiões produtoras do Distrito Federal e nos Estados do Ceará, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nas avaliações, BRS Leila apresentou elevada produtividade e atendeu às exigências do mercado consumidor. A disponibilização da cultivar BRS Leila pela pesquisa agrícola é muito importante, uma vez que a alface é a principal hortaliça folhosa do país e as variedades de folhas crespas de coloração verde estão entre os tipos preferidos pelo consumidor brasileiro.

Homenagem

O nome da cultivar é um reconhecimento à professora Leila Trevisan Braz, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) – campus Jaboticabal, que dedicou grande parte de sua carreira ao melhoramento genético e à fitotecnia da cultura da alface no Brasil. O foco de seus estudos concentra-se no desenvolvimento de cultivares de alface crespa com resistência ao fungo Bremia lactucae, conhecido como míldio da alface, que ganha particular importância no período do inverno, devido às condições de alta umidade e baixa temperatura, principalmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil.

A homenagem surpreendeu a pesquisadora. “Fiquei surpresa e emocionada com essa notícia. Para mim, é uma honraria imensa receber uma homenagem assim, principalmente porque há tempos eu acompanho as pesquisas desenvolvidas com alface pela Embrapa”, comenta a professora Leila ao destacar a importância do trabalho em parceria entre as instituições para a troca de informações entre os programas de melhoramento genético. Em sua opinião, as novas cultivares com resistência são as medidas de controle mais eficientes e econômicas para a cadeia produtiva da alface.

Parceria

A cultivar BRS Leila foi obtida via contrato de cooperação técnica entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a empresa Agrocinco, de acordo com os termos da Lei n° 10.973, de 2 de dezembro de 2004, regulamentada pelo Decreto n° 5.563, de 11 de outubro de 2005, que dispõe sobre incentivos à inovação e garante exclusividade de comercialização das sementes dessa cultivar por essa empresa.

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