CÁLCIO: SEM ELE SUA PRODUÇÃO VAI POR ÁGUA ABAIXO

Há tantos fabricantes diferentes de nutrientes hidropônicos no mercado que é natural surgirem dúvidas sobre quais deles funcionam melhor. Embora a resposta para isso se baseie no crescimento das plantas, vale lembrar que alguns nutrientes são formulados para tipos específicos de culturas, enquanto outros são desenvolvidos para uso geral.

O que há em comum é que quase todos os nutrientes produzidos comercialmente são elaborados para fornecer uma solução equilibrada, com todos os elementos de que as plantas necessitam. Mas, a simples adoção destes compostos não garante que suas plantas não vão nunca se tornar deficientes de alguns nutrientes essenciais – ou que jamais apresentarão quaisquer sinais ou sintomas de uma deficiência. Mesmo se houver oferta abundante de tudo que é essencial na solução nutritiva, pode haver um problema de cálcio.

É comum pensarmos que, se há uma deficiência na planta, deve se tratar de déficit em alguma substância na solução nutritiva empregada. Mas não é sempre esse o caso. A química das plantas é algo muito complexo, onde cada elemento afeta os demais, tanto quanto as condições ambientais. O cálcio é um importante alicerce para os vegetais e, como qualquer outro elemento, pode tornar-se deficiente em plantas, mesmo quando está presente em abundância na solução nutritiva. O problema, então, reside na dificuldade em diagnosticar esse déficit de cálcio, devido à grande variedade de sintomas que ele pode apresentar. Assim, é comum que a ocorrência confunda mesmo um produtor experiente, pois pode se assemelhar a inúmeras outras deficiências ou doenças.

Porque as plantas necessitam de cálcio

O cálcio é utilizado nas paredes vegetais das células durante a sua formação. Ele é fundamental para a estabilidade e bom funcionamento da membrana celular, pois atua basicamente como uma espécie de cola ou cimento, ligando as paredes celulares e mantendo-as unidas. Então, se não houver a quantidade adequada de cálcio no tecido celular durante a formação de suas paredes, os tecidos da planta serão mais instáveis e propensos a quebrar.

Além disso, com a ausência do índice adequado de cálcio, a planta tende a se tornar menos resistente ao ataque de doenças e vírus, assim como mais suscetível à influência de outras condições ambientais e à proliferação de insetos. Quando as células são formadas, o cálcio é ‘colado’ no seu lugar e torna-se imóvel. Graças a isso, um fornecimento constante de cálcio é necessário para o crescimento saudável e a continuidade desse processo na planta. Em outras palavras, se falta abastecimento de cálcio dentro do vegetal quando as células já estão constituídas, ele não poderá contar com o que já havia para reparar ou construir células novas, pois as formadas inicialmente não liberarão cálcio para as demais, já que mantêm fixas suas moléculas nos locais originais.

Caso existam outros elementos em excesso, o cálcio também passa a atuar como um amortecedor para o sistema radicular. Ele desempenha, ainda, um papel na ativação de enzimas que regulam o fluxo de circulação da água dentro da célula vegetal, fator que o torna vital para o crescimento de novas células e sua divisão.

Fatores que influenciam na disponibilidade de cálcio

As plantas possuem dois tipos básicos de tecidos para o transporte dos minerais e açúcares de que necessitam para seu crescimento: o xilema e o floema. Para compreender sua atuação, basta que façamos um paralelo com o corpo humano: nas plantas, eles equivalem aos nossos vasos sanguíneos, encarregados da circulação. Cada um deles, no entanto, tem função diferenciada. Os vasos denominados xilema levam água, junto com os nutrientes dissolvidos, das raízes e caules até as folhas e frutos. Há perda de água pela transpiração da folhagem (como quando expiramos), através de pequenos derrames nos caules e folhas, num processo denominado estoma. Esse movimento cria uma sucção, a qual retira água das raízes através dos vasos do xilema, distribuindo-a por todo o vegetal.

Qualquer fator que interfira na transpiração das plantas vai impactar sobre a captação e fluxo de água pelo xilema. Uma vez que o cálcio é transportado principalmente através dele, esta condição afetará o fornecimento do nutriente para o vegetal. Assim, uma captação lenta de água na planta pode levar a deficiências de cálcio, embora haja abundância do mesmo na solução nutritiva. Logo, incentivar os organismos à transpiração é uma das melhores maneiras de garantir que eles recebam sempre a quantidade necessária de cálcio.

As condições ambientais, como umidade e pouca ou nenhuma circulação de ar, também diminuem a transpiração da planta. Neste caso, adição de ventilação é a maneira mais simples de encorajar que elas transpirem. Por outro lado, altas temperaturas e estresse hídrico também afetam a ingestão de cálcio. Diante disso, manter as plantas sem stress e com boa ventilação é o caminho mais seguro para garantir os níveis adequados de cálcio em sua nutrição.

Outro aspecto a se considerar é que para cada tipo de organismo há diferentes taxas de absorção ideal, podendo inclusive ocorrer variação entre as diversas partes de uma mesma planta. As pontas e bordas novas, por exemplo, tendem a crescer rapidamente, enquanto as frutas geralmente transpiram a taxas menores do que as folhas mais velhas já estabelecidas. Devido a isso, uma deficiência de cálcio no tecido vegetal pode aparecer sob a forma de Tipburn (queima das bordas) ou Blossom Fin Rot (RIC – ferrugem, apodrecimento). Ambos os fenômenos, no entanto, podem ser causados por outros elementos, o que leva àquela dificuldade anteriormente referi-da de se diagnosticar a ausência de cálcio.

Por fim, outro fator importante a se considerar é a força da solução nutritiva, soluções muito fortes podem inibir a absorção de cálcio das raízes das plantas. Portanto, jamais utilize superdosagens na tentativa de acelerar o crescimento, pois acontecerá o contrário: sua horta irá por água abaixo.

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