AQUAPONIA GANHA ESPAÇO NAS ÁREAS URBANAS

Vertente da Hidroponia, técnica de produção consorciada de peixes e vegetais tem despertado a atenção dos produtores e educadores

A Aquaponia é uma prática da aquacultura que une a criação de organismos aquáticos (caramujos, peixes, rãs, lagostas e camarões) e Hidroponia (cultivo de plantas em água) em um ambiente simbiótico. Nesses sistemas, a mesma água circula para a manutenção dos animais e para o crescimento dos vegetais. A técnica vem ganhando espaço nos últimos anos no Brasil e na Plataforma Hidroponia. As instituições de pesquisa e os produtores podem contribuir com sugestões de pauta encaminhando as demandas para a nossa redação.

Ferramenta Social 

Uma das maiores vantagens do sistema é o aproveitamento dos nutrientes gerados pelos peixes para a produção de plantas. A atividade é considerada como de base agroecológica e mais sustentável. A partir da adaptação de um aquário ou tanque de peixes acoplado à sistemas hidropônicos, ou seja, sem uso de solo, a aquaponia pode ser realizada nas pisciculturas e ainda em ambientes domésticos. 

Nesse sentido, a integração do cultivo com a criação de peixes fez com que os sócios Wagner Annunciato e Artur Araújo, da Aquaponia Equilibrium, difundissem técnicas da área para fazendas urbanas, entidades sociais, instituições de educação e produtores de escala comercial.  “O nosso foco é urbano. Começamos com instituições que tinham espaço e queriam iniciar com educação ambiental e produção hidropônica, porém, optaram pela aquaponia por ser mais sustentável, integrar mais ciclos biológicos e não gerar efluentes. Em 2014, nós fomos chamados na ONG Reciclazaro, em São Paulo, e em parceria com eles começamos as instalações de um sistema modelo, educacional e produtivo”, explica Wagner.

Lá, junto às margens da Marginal Tietê na zona leste, a produção aquapônica de hortaliças alimenta cerca de 30 pessoas todos os dias. “São pessoas que trabalham na unidade do CEFOPEA da ONG, seja com projetos de educação ambiental ou nas cooperativas de jardinagem e de reciclagem, incubadas ali. Todo esse pessoal conta com a produção saudável local da fazenda aquapônica para sua alimentação básica diária”, completa. 

Além de ONG’S, alunos e grupos de terceira idade também participam e aos poucos são inseridos ao ambiente sustentável e ecológico que as estruturas oferecem. Em São Paulo, Wagner explica que diversas turmas de alunos e escolas realizam visitas às fazendas. “Pelo fato de as instalações serem didáticas, com pinturas destacadas e visores nos tanques dos peixes, o público fica cativado visualmente, e em um segundo momento, querem entender os processos para também ter em casa esse sistema saudável de produção”, conta.

Técnica 

Apesar de ser uma prática recente no Brasil, o interesse dos produtores fez que empresas lançassem equipamentos, como filtro, tanques e bombas usados em sistemas aquapônicos, e também estimulou a criação de vários cursos sobre o tema, oferecendo um conteúdo bastante diferenciado daquele encontrado na internet.  Quem está dando os primeiros passos carece de muitas informações e assistência técnica. 

Em São Paulo, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com sindicatos rurais, há anos promove cursos de Aquaponia. As inscrições são limitadas e a aula oferecida em três dias – oito horas/aula – quase sempre há lista de espera. A maioria dos participantes são produtores rurais. “Já tivemos alunos de oito estados brasileiros, da França e dos Estados Unidos”, salienta o professor e zootecnista Manuel dos Santos Pires Braz Filho, que é instrutor do Senar-SP.

Manuel montou um sistema próprio de Aquaponia, usando um decantador e um filtro biológico rizosférico com brita e argila expandida de substrato. Ele usa pacu e tilápia. Já a planta utilizada no experimento é a lêmina, que tem 40% de proteína. “Com o aumento do preço da ração, a Aquaponia é a melhor alternativa para a aquicultura. Usando a lêmina, consigo reduzir em 40% o custo com ração e ainda tenho lucro de R$ 1,00 por quilo de peixe produzido”, diz.

A técnica permite o cultivo de diversos tipos de vegetais, como alface, agrião, cebolinha, tomate e pimentão, entre outros. Do mesmo modo, diferentes espécies de peixes podem ser utilizadas, como tilápia, truta e carpa, dependendo da região. Braz Filho lembra, também, que a Aquaponia é adotada em algumas regiões com o foco na produção de forragens – equivale à alfafa – para alimentar o gado. “Acaba com a história de pasto. Uma verdadeira revolução na pecuária”, pontua. 

Outro destaque da prática é dado ao avanço social e ecológico correto, considerada extremamente sustentável, pois toda a nutrição da planta vem dos dejetos dos peixes. “Ao mesmo tempo em que alimenta as plantas, limpa a água para a sobrevivência dos peixes, que são alimentados com ração. Além de ficar 70% mais barato que a Hidroponia, existe o ganho ambiental e o sabor diferenciado dos alimentos com textura bem mais macia, pois são produzidos na água”, compara.

Para o instrutor, ao longo dos anos em que acompanha a Aquaponia, o interesse dos produtores é perceptível em todos os métodos, inclusive nas redes sociais. Na página Aquaponia Agricultura, Braz Filho possui mais de 5 mil seguidores e o público varia entre brasileiros e estrangeiros. “Atribuo esse grande interesse pelos benefícios do sistema, que vão além do ganho ambiental e do baixo custo para implantar toda a estrutura necessária. Na atualidade, a técnica é uma das melhores opções de produção do planeta!”, completa o zootecnista. 

Por Gustavo Paes

Revisão e publicação: Gabriel Costa

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