ALTAS TEMPERATURAS NORDESTINAS ABREVIAM CICLO DO CULTIVO DE ALFACE

A hortaliça mais popular entre os produtores hidropônicos é a alface, também um alimento de ampla aceitação de Norte a Sul do Brasil. Porém, as distintas zonas climáticas do país exigem que o hidroponista entenda como manejar seu cultivo de acordo com a ambiência local. O ciclo de cultivo da alface hidropônica em regiões tropicais normalmente ocorre entre 50 e 65 dias, podendo passar para mais de 70 dias em zonas temperadas.

Neste post vamos mostrar como no sertão nordestino é cultivada a mais popular das saladas.

CALOR NORDESTINO EXIGE MANEJO ESPECIAL DO ALFACE

Em regiões extremamente quentes, como é o caso do Nordeste, onde predominam os climas semiárido e tropical, o ciclo de colheita da folhosa é abreviado e varia entre 40 e 45 dias.

“Se demorar muito para a colheita, a alface começa a espigar e passar do ponto”, explica o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Dimas Menezes.
O especialista explica que, região de Recife (PE), a média anual da temperatura está nas margens de 26°C e 27C°, com variações de 20°C até 32°C.

“Esses números são fora da estufa. No interior de uma estufa, dificilmente registramos menos de 30°C, mesmo à noite. Durante o dia, a temperatura facilmente atinge os 40°C”, afirma, lembrando que essa é uma realidade para os produtores que cultivam no nível do mar. Em regiões com altitude, esses parâmetros são inferiores.

ATENÇÃO A INCONSTÂNCIA DO PH

Os produtores trabalham com uma Condutividade Elétrica (CE) de 1,2 e 2,2 e o pH superior a 6 e 6,5 para seus cultivos.  “Um dos problemas que temos aqui é a falta de uniformidade da qualidade da água no decorrer do ano”, revela o professor.

Muitos produtores utilizam água de barragem, que apresenta essas inconstâncias, o que exige mais atenção no manejo para baixar ou aumentar o pH da água, sempre que necessário.

DESAFIOS DAS ALTAS TEMPERATURAS PARA A PRODUÇÃO DA ALFACE

O mesmo calor que abrevia o ciclo da alface também impõe alguns cuidados e desafios. No estágio da germinação, o tempo depende muito do cultivar escolhido e do tipo de semente. Entre as sementes, o produtor hidropônico prefere as peletizadas, porque possuem uma germinação mais rápida, cerca de 72 horas. Outras sementes podem levar cinco ou mais dias. “A temperatura adequada para germinação precisa ficar entre 20°C e 25°C, nunca ultrapassando este limite”, alerta Menezes.

Com calor excessivo e uma consequente germinação rápida, o professor explica que o broto acumula menos matéria seca, que mais adiante resultará em uma planta com folhas mais finas.

AUSÊNCIA DE BANCADAS

Uma das peculiaridades dos produtores do Nordeste é o fato de não utilizarem bancadas de transição. Em função do ciclo rápido de cultivo, os hidroponistas optam por bandejas de cultivo maiores, com mais capacidade de substrato.

“Então, deixam as mudas se desenvolverem um pouco mais na maternidade antes de realizarem o transplante diretamente para as bancadas definitivas”, explica.

As questões climáticas provocam mais influências na Hidroponia para o Nordeste até mais do que no campo, conforme Menezes. De janeiro a final de março, no ápice do verão, a temperatura fica muito elevada para as estufas, perfis e solução nutritiva.

Com o calor, os produtores precisam enfrentar alguns inimigos da produtividade, principalmente nas regiões mais úmidas, como é o caso da Grande Recife.

“Esse é o caso de pragas como a tripes [Thysanoptera], Mosca minadora [Liriomyza huidobrensis] e o próprio Pythium”, salienta. Porém, quando se fala especificamente de problemas radiculares, o pesquisador afirma que é comum tanto em zonas tropicais, quanto em semiáridas.

O pesquisador sustenta que, para combater essas pragas e garantir um desenvolvimento saudável da planta, o principal ponto é a higiene, que deve estar presente em todas as etapas do manejo dentro da estufa.

Todas as bandejas e perfis sempre devem ser limpos após sua utilização antes de receberem nova produção. “É fundamental garantir que a sementeira esteja limpa. Se o produtor começou errado, não terá como corrigir lá na frente”, observa.

ESTRUTURA ADEQUADA

Alguns tipos de estufas são mais apropriados para enfrentar o calor nordestino. “A estufa com abertura zenital tem funcionado melhor na região, pois permite uma eficaz circulação do ar no interior da estufa e o decréscimo de temperatura microambiental”, diz.

O uso de telas de sombreamento e malhas termorefletoras ainda é um expediente pouco explorado. “É preciso avaliar as condições da estufa antes de usar esses recursos, bem como entender como utilizar essas telas”, adverte.

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