A IMPORTÂNCIA DA PRECISÃO NA PREPARAÇÃO DE NUTRIENTES HIDROPÔNICOS

Ao preparar sua própria concentração de nutrientes hidropônicos, você precisa realizar um número significativo de medições, a fim de alcançar um equilíbrio entre as proporções dos elementos que serão adicionados à água. Não há nenhum problema nisso e inclusive é uma prática bastante comum entre os produtores. A única consequência negativa que pode haver é você acabar se desviando do resultado pretendido, em função de erros inerentes a essas operações.

E o pior é que, muitas vezes, esses “desvios de rota” sequer são detectados em curto prazo, afinal, as plantas não são tão frágeis quanto parecem e toleram uma série significativa de condições adversas. Caso a deficiência nutricional seja sutil, por exemplo, essas pequenas incorreções muitas vezes acabam ignoradas pelo hidrocultor, pois não há nenhum “sintoma” evidente.

Ao menos não a olhos vistos, porque se a análise for tão profunda quanto um microscópio pode chegar, é possível notar um déficit na velocidade do ciclo ou uma “atrofia” no crescimento da planta – que, em última instância, pode não atingir seu pleno potencial, em termos de peso, tamanho e até mesmo longevidade.

No fim das contas (literalmente) esses pequenos equívocos podem gerar prejuízos bem significativos, tais como perda de mercado ou redução no número de safras colhidas, em virtude do “retardo” em cada ciclo. Sem contar que, como bem sabemos, a maioria dos clientes “compra pelos olhos” e valoriza bastante a questão “tamanho”.

Em geral (a não ser que estejamos falando do caso específico dos microgreens), a regra é que “a gôndola é dos grandes”. Ou seja, neste ramo, sim, tamanho é documento – e dificilmente verduras “mirradas” conseguem atrair melhor atenção do que as mais “vistosas”.

Considerando todo esse contexto, neste post falaremos sobre as falhas mais comuns na hora de preparar soluções nutritivas, porque e como elas acontecem e, claro, o principal: o que você pode fazer para minimizar erros, obtendo resultados sempre muito próximos da excelência.

TIPOS DE ERROS

Os erros mais comuns na hora de medir ou mensurar proporções, do que quer que seja, podem ser dividos em apenas dois grupos.

São eles:

ERRO SISTEMÁTICO

O primeiro grupo é o das chamadas “falhas sistemáticas”, pois, como o nome já sugere, diz respeito àqueles equívocos baseados no sistema adotado para a medição ou pesagem, bem como a problemas de calibração do instrumento. Entretanto, “sistemático” também se refere a algo que é feito sempre ou repetidamente, então pode se relacionar ao fato de “bater sempre na mesma tecla”, voltando a praticar o mesmo erro enquanto rotina.

Por exemplo, você pode estar acostumado a usar uma jarra para preparar a concentração de nutrientes. Inicialmente já há um problema aí, pois o instrumento escolhido não oferece qualquer nível de precisão – e nem sequer foi concebido inicialmente para esta finalidade. Aí nos encaixamos na primeira categoria de “sistemático”: o sistema não é adequado já desde a origem, pois o jarro é considerado “descalibrado” e não oferece credibilidade suficiente em termos de exatidão.

Caso você escolha aleatoriamente um jarro qualquer, ao acaso, a cada vez que for medir, a falha é ainda mais grave, porque daí se encaixa tanto no grupo das “sistemáticas” quanto das “aleatórias”, que explicaremos a seguir. Por outro lado, se você habituou-se a utilizar sempre o mesmo jarro (no qual fez inclusive uma marca de caneta para definir a altura-limite, por exemplo), ainda assim a tendência de ocorrer alguma inexatidão na hora do preparo permanece grande.

Isso porque esta sinalização não será sempre a mesma: ela provavelmente se apagará com o tempo (ou frouxará, se tiver sido feita com uma fita colada, por exemplo), o jarro talvez se deforme ou alguma outra variável eventualmente torne confusa a interpretação da marca. Pode ainda o jarro desaparecer, ser extraviado e um próximo terá de ser improvisado para substitui-lo. E aí, como fica a marca, sem o parâmetro anterior para conferir se está igual? Dá pra confiar em uma marcação definida “a olho”?

Resumindo: esse é o tipo de erro que requer a substituição do método de aferição, caso contrário os problemas não apenas se repetirão, mas irão perpetuar-se.

ERRO SISTEMÁTICO

O segundo grupo de falhas também já fica bem evidente no nome: está relacionado à não-fixação de um método ou dos instrumentos utilizados – e geralmente ocorre com produtores adeptos do “improviso”. Mas, neste caso, a falta de padronização (como alertamos lá no início do texto) pode custar caro, pois implicará na imprevisibilidade das safras.

Vamos a um exemplo concreto: imagine novamente aquela cena anterior, da medição com um jarro, porém agora substitua-o por um galão. Suponhamos que você também tenha feito uma marcação (com caneta ou fita) nele e que toma esse risco como referência nas preparações. Para ficar facilmente visível, é grande a possibilidade de você ter feito esse traço bem espesso, com uma certa largura.

Pois bem, na hora de utilizá-lo, de novo é enorme a chance de variação, pois ora talvez você utilize a parte de baixo do risco como parâmetro, enquanto em outro momento há uma tendência a adotar o risco de cima ou mesmo o centro da marcação. E aí já foi por água a baixo o tal do “padrão”, não é?

Além disso, não há como garantir que o vasilhame será apoiado sempre num mesmo ângulo, ou que a superfície será sempre exatamente plana, ou ainda que o galão não sofreu nenhuma deformidade em função de variações da temperatura no ambiente… Enfim, são muitas as possibilidades de variáveis, inclusive a dificuldade de nosso olho calcular se um nível de água está efetivamente alinhado perfeitamente ou não – o famoso “golpe de vista” ou “ilusão de ótica”.

Na prática, isso quer dizer que dificilmente as plantas serão alimentadas da mesma forma, que os ciclos não terão uma previsibilidade tão confiável e que o resultado final poderá ser bastante diferente de uma safra para outra – ou até de uma bancada para sua vizinha. Já imaginou, em um momento o cultivar receber +1% de um nutriente, na vez seguinte -4%, na outra +3,5… Como ele reagirá? Será que conseguirá manter um crescimento linear, sempre constante? Bastante provável que não, né? Eis aí um “pequeno detalhe”, que se reverte em grandes diferenças produtivas.

ONDE ACONTECEM AS MAIORES FALHAS

Quando você produz seus próprios nutrientes hidropônicos (ou, pelo menos, a solução circulante na qual eles são diluídos), mede basicamente duas coisas: volume e massa. São essas duas medições que, caso não sejam realizadas adequadamente, acarretarão todos os erros sistemáticos e aleatórios envolvendo a alimentação dos vegetais.

Como dito no tópico anterior, boa parte destes equívocos acontecem em função da escolha inadequada do recipiente destinado a executar a função de medidor. Reforçamos a orientação de que vasilhames específicos para essa finalidade, disponíveis em bons fornecedores, devem ser priorizados.

Balanças mal calibradas ou desreguladas também respondem por número considerável de ocorrências, por isso não custa verificar periodicamente sua confiabilidade. Procure escolher equipamentos de fácil regulagem e manutenção, que correspondam às normas técnicas mais rigorosas.

IMPACTOS NUTRICIONAIS

Testes laboratorais sugerem que, em média, erros sistemáticos conduzem a discrepâncias em torno de 10% (para mais ou para menos), com relação à dosagem ideal de nutrientes, enquanto erros aleatórios tendem a impactar um pouco menos –  em torno de +/- 5%.

Ainda que pareçam números irrelevantes, quando exponenciados a uma escala comercial, ao longo de meses ou anos, o resultado não é tão insignificante assim. E o problema reside justamente nessa “invisibilidade”: já que uma planta sobrevive aparentemente tão bem com uma solução de 170 ppm quanto sua vizinha que recebe 230 ppm, em geral demora-se bastante tempo para perceber o déficit, retardando a percepção da necessidade de ajustes.

Esta é a razão pela qual a maioria dos produtores não vê uma necessidade imediata de focar na redução desses erros. Afinal, se você está cultivando plantas saudáveis e tem um pouco menos ou mais do que pretendia, qual é o problema, não é mesmo? Bom, após você ter lido essa matéria, acho que TODOS, né?

COMO A IMPRECISÃO AFETA SEU PROCESSO

Basicamente, são três as maneiras pelas quais soluções preparadas incorretamente podem afetar seu processo produtivo. A primeira é que isso torna as plantas muito vulneráveis a alterações durante seu crescimento, devido à inconstância da captação de nutrientes. A segunda diz respeito à falta de otimização dos recursos, pois certamente a eficácia dos componentes será desperdiçada se usarmos demais ou precisarmos refazer a composição – o que também aumentará o consumo de água e empenho de tempo. E a terceira (e talvez mais importante) é que outras pessoas não serão capazes de reproduzir o método de forma confiável, já que ele carece de uma padronização e depende do “olho” de quem costuma realizar a “mistura”.

COMO REDUZIR ERROS

Conforme indicam os especialistas e produtores mais experientes, a maneira mais fácil de reduzir erros durante o preparo de soluções hidropônicas consiste em partir sempre de uma pequena escala. Ou seja, o ideal é primeiro elaborar a formulação na menor proporção possível (sempre adotando um medidor volumétrico bem calibrado) e, a partir de sua exatidão, depois ampliar a escala, exponenciando as dosagens até o total pretendido.

PEQUENA ESCALA, GRANDE PRECISÃO

Essa lógica de que as preparações em menor escala facilitam a exatidão se ampara no fato de que, através desse método, será bem mais fácil e rápido determinar a quantidade de água necessária para um determinado volume de solução, bem como a condutividade esperada das diluições e a densidade projetada para a solução-estoque.

A par desses dados-base, dificilmente haverá erro na hora de ampliar, desde que respeitadas as proporções. Cabe, porém, frisar que, a cada aumento de escala, deve-se novamente aferir os números, para que se confirme a exatidão. Para tanto, um bom medidor de vazão será bastante útil.

MEÇA MENOS

Cada medição que você faz carrega em si o risco de um erro adicional. Ou seja: é melhor preparar duas soluções nutritivas concentradas do que 10 soluções com os sais separados, porque desse modo você “economiza” oito medições de volume. Dito desse modo, parece contraditório com a orientação de logo acima, mas é que nesse caso estamos nos referindo ao número de preparações, enquanto lá referíamos medições para certificação da proporção – e não nova dosagem.

Assim, se você minimizar o número de aferições que precisa fazer para chegar à dosagem total de solução nutritiva, também reduzirá a possibilidade de erros nesses cálculos. Caso seus volumes apresentem imprecisão muito superior à dos seus pesos, priorize a redução do número de medições versus as pesagens.

CONCLUSÃO

Como vimos, para alcançar a precisão são necessários alguns cuidados especiais, que irão ajudá-lo a produzir com mais eficiência. Melhores práticas, menos erros, mais reprodutibilidade e aprendizagem. É um ciclo virtuoso. O risco de erros está sempre presente, é algo intínseco a qualquer setor, estejamos cientes deles ou não. O problema é que ignorá-los pode custar tempo, dinheiro e espaço no mercado. Por isso, sempre melhor prevenir do que, depois, tentar remediar. Boas medidas e ótimos negócios!

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